Leitor denuncia abandono à Praça do Bosque em Senhor do Bonfim

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Nasci e me criei no Bosque. Foi na Praça da Natureza que dei meus primeiros passos e,
junto com meus amigos, passei grande parte de minha infância brincando de gude,
andando de bicicleta e jogando bola entre as árvores plantadas pelo saudoso Seu Arsênio
Eleotério.

Em 1988, já no final da administração de Cândido Augusto Martins, a praça foi reformada.
Os campinhos e as ruínas do velho chafariz foram substituídos por gramados, mesas de
damas e um parque infantil. Com o passar dos anos, sem nenhum tipo de manutenção, o
espaço foi sendo deteriorado pela ação do tempo e dos vândalos.

Quase uma década depois, durante o primeiro mandato de Carlos Brasileiro, uma nova
praça foi construída. Árvores plantadas, jardins suspensos, parque infantil e uma fonte
luminosa. A praça se tornava uma das mais belas da cidade.

Contudo, trinta anos após sua primeira reforma, novamente a pracinha sofre com o
abandono. Tanto pelo vandalismo quanto pela falta de conservação por parte do poder
público, principalmente durante a gestão do Dr. Edivaldo Correia. Nesse período,
possivelmente por questões partidárias, foi afastado seu único vigilante, que também fazia
as vezes de jardineiro e eletricista, cuidando da praça com zelo e carinho.

Hoje, quem passa pelo Bosque pode ver quão a praça está abandonada. Mesas e bancos
destruídos, restos de um parque que já não mais existe, um pergolado central prestes a
desabar e causar um grave acidente, uma fonte luminosa quebrada e acumulando água e
se tornando um perigoso foco para reprodução do mosquito Aëdis Aegypti. A noite, quem
ainda se arrisca em sair à rua, percebe que a parca iluminação é sucumbida pelas
sombras das árvores que há anos não são podadas, deixando o local além de feio,
perigoso para moradores e transeuntes.

Praças são espaços públicos destinados à convivência e o lazer da população, sendo
utilizados principalmente por idosos e crianças. No caso do Bosque, uma parcela
significativa dos moradores é formada pela melhor idade, que pouco utilizam a praça,
principalmente pela inexistência de opções de lazer. Não bastasse, ainda enfrentam
dificuldades de mobilidade para realizar uma simples caminhada, devido ao piso irregular
das calçadas feito de pedras portuguesas e as duas escadarias que levam ao vão central.
Caso sejam cadeirantes, a acessibilidade se torna ainda mais complexa, visto o desnível
do acesso entre a rua e a calçada, bem como o aclive e declive acentuado da rampa que
liga o passeio ao piso central da praça.

As crianças também são castigadas pela falta de conservação, embora sejam quem mais
utilizam a praça. Sem os brinquedos do parque infantil, restam a elas as brincadeiras de
pega-pega e o bom e velho babinha, jogado num espaço de aproximadamente cinco
metros quadrados, usando como traves as ferragens do antigo balanço e o esqueleto da
velha casa de madeira.

Como a gestão dos espaços públicos é de responsabilidade do município, os moradores
aguardam que a atual Administração seja breve em realizar as melhorias na praça. A poda
das árvores, a recuperação da iluminação e o retorno de um vigilante já seriam
inicialmente de grande valia. Em um segundo momento, deve-se pensar em uma reforma
mais ampla, utilizando conceitos arquitetônicos que, além da estética, otimizem a
mobilidade, acessibilidade e opções de entretenimento, possibilitando assim que esse
equipamento cumpra suas funções sociais e educacionais.

Tenho ciência das dificuldades dos municípios em obter receitas para investimentos para
os bens públicos. Mas, com bons projetos, a administração pode pleitear a captação de
recursos para construção e reformas de praças, junto aos governos Federal e Estadual,
através de propostas voluntárias ou mesmo por emendas parlamentares. Quanto à
conservação desses espaços públicos, uma alternativa que vem sendo bastante utilizada
em muitas cidades do país, são parcerias com empresas privadas ou organizações
sociais, que permitem os interessados cuidarem das praças, sendo responsáveis pelos
serviços de manutenção e melhorias urbanas e ambientais. Em contra partida, obtêm
benefícios fiscais ou exploram os espaços publicitários dos locais.

Problemas e dificuldades para administrar um município sempre existirão, bem como
boas ideias para resolvê-los. Cabem aos gestores públicos, juntos com a sociedade
organizada, avaliarem suas viabilidades, chegando assim às soluções desejadas.

Alex Barbosa, bonfinense, nascido no Bosque.

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