Julgamento de vereadores na Bahia é suspenso após pancadaria; Veja vídeo

Sessão, que teve chutes e socos, deixou objetos danificados.

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Uma sessão para julgar o mandato de seis vereadores de Correntina, no Oeste da Bahia, foi suspensa nesta quinta-feira (20), após uma briga entre parlamentares, seguida de um quebra-quebra no plenário do Legislativo local. O episódio não deixou feridos, mas danificou 12 dos 13 microfones disponíveis para os parlamentares, além de quatro vidros de mesa e uma mesa quebrados.

Nesta quinta-feira (20) seria julgada a denúncia que pede a cassação do mandato dos envolvidos na Operação Último Tango, realizada pelo advogado Valter Rocha Souza, morador de Correntina, com base nas investigações do MP-BA. Mas, de acordo com testemunhas,  o encontro já começou tumultuado, com a presença dos vereadores Wil, Jean da Guarda e Miltão dando palavras de ordem no plenário e gerando confusão.

A operação aconteceu no dia 26 de outubro deste ano, em conjunto com a Polícia Civil, para combater um esquema de corrupção na cidade.

Na sessão, comandada pelo presidente interino Ebraim Silva Moreira (MPB), o vereador Wil partiu para cima do relator do julgamento, o vereador Jon, e deu chutes e socos, sem acertar alvo. Um vídeo gravado por testemunhas mostra o momento da confusão.

No vídeo, o vereador Wil é o que está de camisa branca e o de paletó preto é o parlamentar Jon. Policiais militares presentes na sessão tentaram acalmar os ânimos, sem sucesso. “Wil me empurrou e tentou pisar em mim, mas não conseguiu”, disse o vereador Jon.

Segundo Jon, o colega de Casa, Miltão, de tentar fugir com o processo original, durante a confusão, mas foi contido. A sessão foi suspensa e será retomada nesta tarde para dar seguimento ao julgamento.

Apesar do tumulto, não foi solicitado reforço policial, segundo informou o vereador Jon. “Pela manhã tinha uns 30 policiais miliares e mais dez guardas municipais, deve ficar esse tanto de novo”, disse, enquanto almoçava com o advogado Vagner Rocha.

O advogado disse que entrou com a ação contra os parlamentares envolvidos na Operação Último Tango por ser um direito dele como cidadão correntinense. “Os fatos apontados na operação são graves, e pedi que fossem tomadas as providências”, disse.

Além de pedir a cassação dos mandatos dos seis parlamentares envolvidos no suposto esquema criminoso, o advogado pede que eles fiquem inelegíveis por oito anos. “Esse é um processo administrativo, ainda tem o criminal que está tramitando”, comentou.

Presos

Segundo testemunhas, a confusão envolveu os vereadores Jon Félix Pereira Barbosa (PSDB), Adenilson Pereira de Souza (PTN), o Wil; Milton Rodrigues Souza (PCdoB), o Miltão, e Jean Carlos Pereira dos Santos (PP), o Jean da Guarda. Wil, Jean da Guarda e Miltão estão entre os denunciados pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), na Operação Último Tango.

Além dos três parlamentares, foram presos na operação os vereadores Wesley Campos Aguiar (PV), o Maradona, à época presidente da Casa; Nelson da Conceição Santos (PRB), o Nelson Carinha; e Juvenil Araújo de Souza (PCdoB), o Babado Pimenta. 

Eles são acusados de formar uma organização criminosa que, segundo o MP-BA, fraudou licitações, contratos e desviou verbas públicas em Correntina. Maradona, apontado como líder do suposto esquema, ficou 21 dias preso.

Além dos vereadores, a operação envolveu ainda dois servidores públicos. Todos já foram denunciados à Justiça Criminal e respondem a um processo que ainda não tem data prevista para ser julgado.

O Jornal CORREIO não conseguiu contato com os demais vereadores envolvidos na confusão na Câmara e na Operação Último Tango.

Em maio deste ano, numa sessão da Câmara de Vereadores, eles tinham arquivado outra denúncia semelhante, que está em julgamento. Todos os vereadores envolvidos participaram da sessão que arquivou a denúncia – ou seja, julgaram em causa própria. Por causa disso, a Justiça determinou a anulação do ato de arquivamento.

Posteriormente, o advogado Vagner Rocha Souza entrou com outra denúncia, acrescentando 12 ementas com novas informações. Os vereadores foram intimados a responder, para fazer o contraditório, mas apenas o vereador Nelson da Conceição fez a defesa. O processo na Câmara tramita à revelia com relação aos demais.

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