Viciados em telefone são os “novos motoristas bêbados” e representam maior perigo no trânsito, diz pesquisa

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FOTO: ARTERRA/UIG VIA GETTY IMAGES.

“Se dirigir, não use o celular.” A frase é derivada de outra campanha que você provavelmente conhece, sobre misturar álcool e direção. Mas, se a conscientização em relação à bebida funcionou nos últimos anos, o perigo de prestar atenção ao smartphone enquanto dirige só cresceu, conforme aumentaram também as funcionalidades do aparelho.

O tamanho do problema pode ser visto em uma nova pesquisa da Zendrive, empresa que captura dados de uso dos smartphones durante a direção, para ajudar donos de frotas e automóveis e seguradoras a melhor orientar os motoristas. A empresa identificou que, no ano passado, mais de 6 mil pedestres perderam a vida nos Estados Unidos por culpa de motoristas que estavam prestando atenção ao dispositivo enquanto dirigiam.

A empresa identificou um grande número de pessoas que podem ser qualificadas como “viciados em telefones” (phone addicts). Elas passam, em geral, 28% do tempo que dirigem simplesmente ignorando o trajeto, julgando que estão no controle da situação. E, também por essa falsa segurança, acabam sendo mais perigosos que os motoristas bêbados.

“Os motoristas estão 10% mais distraídos neste ano, em relação ao ano passado. E os viciados em telefone se tornaram o inimigo público número um, superando os motoristas bêbados como maior ameaça nas vias públicas”, diz a Zendrive, que avaliou 257 milhões de quilômetros de direção de pessoas que usam sua tecnologia.

Ao mesmo tempo em que 93% das pessoas que admitem olhar constantemente o celular enquanto dirigem acham que estão “extremamente” ou “bastante” seguros nos carros, 47% admitem que passam mais de 10% do tempo no volante ignorando o que se passa na rua.

Comparando os dados de direção entre esses motoristas e os que se comportam corretamente na direção, a Zendrive ainda identificou os seguintes comportamentos:

– Os viciados em telefone são 9% mais lentos para começar a frearquando necessário;

– são 19% mais lentos para retomar a velocidade normal após frear;

– apresentam variação 24% maior da distância que guardam do carro da frente, hora demorando para frear e se aproximando perigosamente, hora atrasando o trânsito indo devagar demais.

Além disso, eles estão nas ruas por muito mais tempo do que os motoristas alcoolizados. Consultando a fundação americana dos Alcoólicos Anônimos, a Zendrive informou que essas pessoas dirigem principalmente no intervalo entre as 3h e 7h. Já os viciados em telefones dirigem entre as 7h e 18h.

Além disso, embora o problema relacionado a bebida e direção não tenha desaparecido, as campanhas de conscientização tiveram efeito. Nos Estados Unidos, as mortes em decorrência dessa fator caíram pela metade, diz a Zendrive.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde do ano passado, publicados para avaliar o efeito da Lei Seca em dez anos de implementação, atestaram que as mortes no trânsito por aqui caíram 14% – não se avalia a causa dos óbitos, no entanto.

No ano passado, somente entre janeiro e julho, as multas aplicadas por usar o celular enquanto dirige chegaram a 759 mil, superando o volume de todo o ano de 2017, que foi de 571,6 mil. Em 2016, a infração passou de “média” para “gravíssima”, em função do crescimento de acidentes motivados pela distração com o aparelho.

Já foram criados diversos aplicativos que bloqueiam as funções do celular enquanto o usuário dirige. Alguns ainda monitoram o uso do aparelho para depois dar uma “nota” à direção, enquanto outros respondem automaticamente mensagens que chegam para o motorista quando ele está dirigindo.

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