Jornalistas da Veja são detidos pela polícia em Pojuca, na Bahia

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Dois jornalistas da revista Veja foram detidos e levados para a delegacia em Pojuca, na Região Metropolitana de Salvador, na manhã desta sexta-feira (14). Segundo a revista, o repórter Hugo Marques e o repórter fotográfico Cristiano Mariz estavam tentando localizar o fazendeiro Leandro Abreu Guimarães, testemunha que pode ajudar a dar informações sobre a morte do ex-capitão Adriano da Nóbrega, em Esplanada.

Os jornalistas foram cercados por duas viaturas da Polícia Militar da Bahia, segundo a Veja. Eles se identificaram, mostrando suas credenciais de imprensa. Armados, os PMs mandaram que os jornalistas saíssem do carro em que estavam. Os dois foram revistados. Um dos PMs perguntou várias vezes como eles descobriram o endereço.

O gravador do jornalista, com entrevistas feitas ao longo da semana sobre a operação que terminou com a morte do ex-capitão, foi apreendido pela PM, diz a Veja. Os dois jornalistas foram conduzidos então para a delegacia de Pojuca, onde tiveram que responder sobre o que faziam na cidade. Só depois o gravador foi devolvido. Um policial explicou que eles foram retirados do local por “questão de segurança”, por estarem parados na frente da casa de uma testemunha.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) diz que os PMs abordaram os jornalistas no carro depois de denúncia de moradores sobre um veículo com placa de Belo Horizonte estava “rondando a região”. “A PM foi acionada, abordou o grupo e fez a condução até a Delegacia Territorial. Após se identificarem como jornalistas, foram liberados. Nenhum equipamento foi danificado, alterado ou ficou apreendido”, diz o texto.

Já a Polícia Militar diz que PMs da 32ª CIPM foram até o local por volta das 10h50 após denúncia de que havia “dois homens suspeitos” parados em frente a uma casa. Abordados, eles disseram que trabalhavam para um veículo de imprensa. A PM diz que o carro usado não tinha identificação e “não foi apresentada nenhuma materialidade que comprovasse a afirmação”, por isso levou ambos à delegacia para averiguação. “Após a comprovação dos documentos, os profissionais de imprensa foram liberados”.

O Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) divulgou nota repudiando a ação policial. “Os dois jornalistas da revista Veja, Hugo Marques e Cristiano Mariz, estavam em pleno e livre exercício profissional e se identificaram quando abordados pela viatura da PM-BA. Mesmo assim, foram conduzidos a uma delegacia e tiveram o gravador de trabalho inspecionado, antes de sua devolução, em claro sinal de intimidação a consecução de suas tarefas”, diz o texto. “A Constituição do Brasil garante a liberdade no trabalho da imprensa, preceito magno que vem sendo atropelado pelas autoridades de Segurança Pública. Vivemos um quadro de clara intimidação a quem tenta cumprir o papel social do jornalismo: informar os fatos, de forma transparente e responsável, aos cidadãos brasileiros”, acrescenta.

“Uma morte cujas circunstâncias e motivações são cercadas de dúvidas impõe que o rabalho da imprensa seja livre de sanções, para um melhor acompanhamento das investigações e divulgação dos fatos. O ocorrido com os dois jornalistas da Veja só ajuda a alimentar as suspeitas de que há mais a se informar do que foi até agora revelado”, diz o Sinjorba, que finaliza exigindo uma retratação do Governo do Estado e “uma mudança de postura dos agentes policiais para que cessem os abusos contra o trabalho da imprensa na Bahia”.

Leandro Abreu é o fazendeiro que escondeu o ex-capitão em Esplanada e uma das últimas pessoas que o viu com vida. O miliciano foi morto a tiros pela polícia baiana no último domingo, em operação que gerou controvérsia e críticas ao modo como foi conduzida.

A própria revista Veja traz essa semana reportagem de capa sobre o tema, com fotos do corpo do ex-capitão e opinião de peritos que colocam em dúvida a versão oficial de que houve um confronto. A SSP divulgou nota mais cedo comentando a matéria.

“Sobre a lesão arredondada na face anterior do corpo de Adriano, trata-se de equimose, não uma queimadura. É uma lesão contundente, obviamente feita com algo arredondado, que pode ter sido ativamente ou passivamente comprimido contra o corpo”, diz trecho da nota, sem detalhar o que teria causado o ferimento.

Segundo a revista, a marca no peito do ex-capitão pode ter sido provocada pelo cano de uma arma longa e de grosso calibre, logo após um disparo, ainda vivo. Os peritos ouvidos afirmam que os ferimentos foram feitos a curta distância, o que é negado pela SSP.

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