Marcos Cesário escreve texto em homenagem ao escritor bonfinense Hélio Freitas

Hélio, meu primeiro dia é tão último... por Marcos Cesário.

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Hélio, meu amigo, só agora fiquei sabendo que você morreu ontem, vítima da covid-19, ontem, ontem, no último dia do ano. E agora, triste, com uma tristeza que dói em tantos cantos dentro de mim, soube que você foi enterrado sem os amigos que você tanto amava e que, por tantos motivos e todos verdadeiros, tanto te admiravam e amavam.

90 anos e tão jovem. Hélio, às vezes, você, em sua inquebrável fé na raça humana, era mais jovem que eu…

Hélio, e como fico, aqui, agora? Como me dizer que não vou mais te ver. Como viver sem ouvir você recontar suas memórias? Memórias generosas de Poeta que amava sua cidade, sua terra, e a Terra… Como não vou poder mais falar, rir com você? Eu, agora mesmo, queria lamentar com alguém, com um amigo, sua morte. Mas Hélio, meu amigo, eu queria lamentar sua morte em sua casa, em seu escritório, queria lamentar, chorar sua morte com você vivo, com você amigo…

Hélio, amigo amado e querido. Uma das poucas pessoas que eu confiava minhas raivas e alegrias sinceras. Hélio, você que gostava tanto de gente, inclusive gostava tanto de certos “tipos de gente” que eu mesmo sempre evitei e desprezei. Mas você, como um ateu de fé, confiava até em quem não merecia sua confiança. Dava, até, a quem nada te oferecia… Hélio, você era, ainda é e sempre vai ser, mais generoso que eu.

Clélia, Clélia, não sei como escrever para você. Não sei o que escrever para você. Hélio foi sempre tão cuidado e é tão amado por você. Clélia, não sei como falar à sua solidão. Só você sabe o quanto Hélio te amava: com todas as razões, por todas as razões legítimas. Clélia, minha solidão não sabe como falar a uma solidão tão solidão como a tua: companheira, esposa, amiga. Clélia, preciso te olhar e chorar um tanto nos seus olhos também…

Hélio, até breve, amigo, até breve, deixo em minha solidão, em minha dor a marca de tua gentileza, de tua sincera humildade e amizade, e de teu franco e largo sorriso.

Hélio, abrace forte, bem forte, nosso amigo Britto por mim. Hélio, amigo, espero que num céu de vocês, o céu dos crentes ateus, vocês, sorrindo de tudo, por tudo que viveram, amaram e amam, celebrem a Vida ao lado de qualquer Deus.

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