Médico é espancado com chutes e socos por defender ‘lockdown’ no Paraná

Infectologista José Eduardo Panini relatou em suas redes sociais que foi agredido após alertar sobre os riscos em momento crítico pandemia no Paraná.

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Foto: Arquivo pessoal/Jose Eduardo Mainart

O médico infectologista José Eduardo Mainart Panini foi espancado por um familiar após alertar sobre os riscos da Covid-19 e defender a prática de lockdown. O caso aconteceu em Toledo, no oeste do Paraná. Segundo ele, o agressor estava se preparando para ir a uma festa.

“Ao alertar os riscos a pessoas conhecidas, a resposta que me foi dada foram chutes e socos, enquanto um me segurava o outro me agredia. Enfim pessoas assim que ajudaram situação chegar onde está!”, publicou Panini em seu Instagram nesta segunda-feira (1º), junto a uma foto em que exibe os ferimentos no rosto.

A agressão ocorreu na sexta-feira (26), no mesmo dia em que o Governo do Paraná estabeleceu medidas mais rígidas em relação à pandemia por conta do aumento expressivo no número de casos e de mortos pela doença. Além do fechamento dos serviços não essenciais até o dia 8 de março, também está proibido a circulação de pessoas em espaços públicos entre 20h e 5h.

Em seu post, o médico ainda disse que, apesar da agressão, ele não desanima e continua defendendo as medidas de restrição no combate à pandemia. “O desânimo não vem! E junto com eles temos muita coisa boa, progresso, vacinas e tudo que vai fazer sairmos dessa pandemia! E aos trabalhadores da saúde muita força!”.

Panini tem 31 anos e é médico há sete anos. Ele atua na Prefeitura Municipal de Toledo, no Consórcio Intermunicipal de Saúde Costa Oeste do Paraná (Ciscopar) e no Hospital Doutor Campagnolo. O profissional também é especialista em infectologia pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e foi professor do curso de medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR) no campus de Toledo.

De acordo com o boletim divulgado nesta segunda-feira (1º) pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o Paraná chegou ao total de 645.621 casos confirmados do novo coronavírus e 11.598 mortes.

Boletim de ocorrência:

O médico e a esposa registraram boletim de ocorrência sobre a agressão na Polícia Civil de Toledo, que diz estar investigando o caso. Panini também passará por exame de corpo de delito.

Repúdio à agressão:

O Conselho Municipal de Saúde de Toledo emitiu uma nota de repúdio sobre a agressão sofrida pelo médico e cobrou que os autores sejam identificados e punidos.

“Salientamos que o conselho repudia qualquer ato de violência e se tratando do atual momento de pandemia, a qual servidores atuam incansavelmente para salvar vidas aqui em Toledo, assim como no mundo todo, atos desse tipo apontam total desrespeito com o próximo e só trazem prejuízos a todos que estão na luta para que isto um dia vire apenas história”.

Em nota, o Centro Acadêmico de Medicina de Toledo também repudiou a agressão contra o infectologista e afirmou que a comunidade acadêmica estava indignada com a situação.

“Defendemos que pandemia seja enfrentada com seriedade e com base em dados científicos. Somos contra todo ato de violência, desrespeito, intolerância e negacionismo. Nós, acadêmicos, desejamos força e uma boa recuperação ao Dr. José Eduardo, e que essa atitude criminosa seja devidamente punida. Nossa gratidão pelo profissional exemplo que é para nós alunos”, disse a nota.

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