Carol Castro conduz lançamento do Caderno Vozes do Velho Chico

A estudante bonfinense de jornalismo, Mirielle Cajuhy, teve seu minidocumentário exibido durante o evento. Ela foi a responsável pela produção, roteiro e boa parte das filmagens

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Carol Castro foi a mestre de cerimônias do Vozes do Velho Chico (Crédito: Luciano Souza)
Carol Castro foi a mestre de cerimônias do Vozes do Velho Chico (Crédito: Luciano Souza)

As vozes do Velho Chico ecoaram no Centro de Cultura João Gilberto na noite desta terça-feira, 31. O teatro em Juazeiro, Bahia, recebeu o lançamento do Caderno Vozes do Velho Chico, conduzido pela atriz Carol Castro.

A atriz que interpretou Iolanda na primeira fase de Velho Chico também apresentou os minidocumentários produzidos por estudantes de Artes Visuais e estagiários de Comunicação da TV Caatinga, que mostram histórias de vida de moradores da região.

Na abertura do encontro, o vice-reitor da Universidade Federal do Vale do São Francisco, Télio Nobre Leite, destacou a importância de eventos como esse. “Com isso podemos dar oportunidade para os jovens mostrarem seu talento”.

O filósofo e teólogo Roberto Malvezzi, articulista do Caderno, apresentou a palestra “As várias faces do Velho Chico”. Ao contar sobre a história do rio, Malvezzi relacionou aspectos do presente e do passado do local e destacou: “Não é possível entender a situação que a gente está passando hoje sem que a gente entenda o processo de ocupação do vale do São Francisco”.

Neste sentido, falou sobre a importância de se desenvolver técnicas para enfrentar e conviver com os desafios do clima na região, sobretudo por meio do paradigma da convivência com o semiárido, fato que vem evitando atualmente as tragédias causadas pela seca – frequentemente vistas no passado. Ao resgatar a origem do povo da região, o teólogo abordou pontos como o coronelismo, a perenidade do rio e a construção de grandes empresas nas regiões ribeirinhas.

Mirielle Cajuhy explicou por que o grupo contou a história de Euri Mania (Crédito: Luciano Souza)
Mirielle Cajuhy explicou por que o grupo contou a história de Euri Mania (Crédito: Luciano Souza)

Nos minidocumentários, o público conheceu as histórias de Euri Mania e de Rogério Pereira. Mirielle Cajuhy, uma das jovens que produziu o minidocumentário do rapper Euri, contou por que o grupo escolheu falar sobre o tema: “Ele conseguiu transformar a realidade dele e de outras pessoas com sua liderança comunitária nata”. Talita Santos, uma das produtoras do vídeo sobre a trajetória de Rogério Pereira, comentou a importância de seu trabalho. “Rogério fomenta em nós que a ideia que o sertão dá certo”, resumiu.

Os vídeos também mostraram histórias de mulheres guerreiras. Fernando Pereira, que participou da produção do minidocumentário sobre Geórgia Romero, revelou que o momento mais difícil da produção foi o da edição: “Era quase impossível não se emocionar”.

Já Juliana Silva, uma das produtoras do vídeo que contou a história da professora de uma comunidade de fundo de pasto, Nazareth Silva, explicou que a convivência em comunidade foi o que mais chamou a atenção do grupo na produção. “Além da expressividade da comunidade, cujo modelo de fundo de pasto só existe na caatinga e no cerrado”.

O vídeo sobre a história de Maria Clara encerrou a noite do evento. A menina “sambadeira”, de 9 anos, faz parte do grupo Samba de Veio, de tradição quilombola, originário da Ilha do Massangano. O público pode acompanhar ao vivo as músicas e o gingado do Samba de Veio.

ASSISTA AO MINIDOCUMENTÁRIO PRODUZIDO POR MIRIELLE CAJUHY E SUA EQUIPE:

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